PIOLHEIRA

literatura | web 2.9

...de pies descalzos

Deve ser porque é a Bienal da liberdade, do vazio e de graça. Tão livre quanto quanto deve ser a estética da liberdade policiada.
É proibido entrar com um castelo de cartas na cabeça, é proibido entrar com o porquinho-da-índia e é proibido cuspir no chão.
Agora sim! Tudo está sob controle, a interação esta devidamente vigiada por homens de preto comprados pela organização.
"Você acha que eu vou ficar aqui olhando o pé de todo mundo?"
Mantenha sua postura frente a arte contemporânea. Não toque as obras, não deixe que elas toquem você!
Todo mundo pode, desde que tenha sapatos novos de pelica, camisas floridas, iphone, ipod, cartão de crédito, rg e cpf.
A Bienal é livre e a arte é o aprisionamento. Revestida de preconceitos, a instituição mata a obra e o espectador assiste ao circo. Pão e circo. A Bienal é diversão, é domingo, é no parque, é família, é feliz e não gosta de pixadores ou pessoas descalças.
Agora eu vou entrar, só pra correr descalço por um ambiente que escolhe os caminhos do que é e não é arte.

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Respostas a este tópico

ugh, mão que fala poema? essa é do mal, carol. rs.

Carol Marossi said:
Eu não sei se é poético, mas deve ser. Eu não fui à Bienal, justamente por isso resolvi fazer algo. Sabe o que? Eu falei com a minha mão em público, em pleno metrô lotado [é verdade, antes que alguém possa duvidar]!
Melhor, eu estava com roupa social, dessas chatas que a gente coloca pra trabalhar; maquiada, perfumada...Foi engraçado. Ficaram olhando pra mim como se eu fosse maluca, principalmente porque a mão soltava trechos de poemas escritos por mulheres russas, como a Marina Tsvietáieva. Não em russo, claro, mas em português acanhado mesmo.
Da próxima vez sentarei no chão, porque agora há placas no metrô assim: proibido sentar no chão. Vejam a que ponto chegamos...

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